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terça-feira, 18 de abril de 2017

PNAIC: Gêneros textuais na sala de aula.


Por que ensinar gêneros textuais na escola?

Maria Helena Santos Dubeux e  Leila Nascimento da Silva

Em uma perspectiva sociointeracionista, os eixos centrais do ensino da língua materna são a compreensão e a produção de textos. Nessas atividades, convergem de forma indissociável fatores linguísticos, sociais e culturais. Nelas, os interlocutores são participantes de um processo de interação, e, para isso, precisam ter domínio da mesma língua e compartilharem as situações e as formas como os discursos se organizam, considerando seus propósitos de usos e os diversos contextos sociais e culturais em que estão inseridos. (SANTOS, MENDONÇA E CAVALCANTE, 2006).

Nesse sentido, a língua se configura como uma forma de ação social, situada num contexto histórico, representando algo do mundo real. O texto, portanto, não é uma construção fixa e abstrata, mas, sim, palco de negociações e produções de múltiplos sentidos. Os textos são produzidos em situações marcadas pela cultura e assumem formas e estilos próprios, também historicamente marcados. Diferentes textos assemelham-se, como diz Bakhtin (1997), porque se configuram segundo características dos gêneros textuais que estão disponíveis nas interações sociais. Desse modo, pode-se dizer que a comunicação verbal só é possível por meio de algum gênero que se materializa em textos que assumem formas variadas para atender a propósitos diversos. Para melhor entendermos essa discussão, é importante enfocar as diferenças entre gêneros textuais e tipos textuais.

Para compreendermos essas relações entre tipos textuais e gêneros, passamos a definir essas noções fundamentais para se trabalhar leitura e produção textual na sala de aula, conteúdo central da unidade 5.

Referimo-nos a tipos textuais para tratarmos de sequências teoricamente definidas pela natureza linguística da sua composição: narração, exposição, argumentação, descrição, injunção. Não são textos com funções sociais definidas. São categorias teóricas determinadas pela organização dos elementos lexicais, sintáticos e relações lógicas presentes nos conteúdos a serem falados ou escritos, distinguindo-se capacidades de linguagem requeridas para a produção de diferentes gêneros textuais. (MARCUSCHI, 2005; MENDONÇA 2005; SANTOS, MENDONÇA E CAVALCANTE, 2006).

Os gêneros textuais, segundo Schneuwly e Dolz (2004), são instrumentos culturais disponíveis nas interações sociais. São historicamente mutáveis e relativamente estáveis. Emergem em diferentes domínios discursivos e se concretizam em textos, que são singulares. Assim, para que a interação entre falantes aconteça, cada sociedade traz consigo um legado de gêneros, por meio dos quais são partilhados conhecimentos comuns. Em consequência das mudanças sociais, os gêneros se alteram, desaparecem, se transformam em outros gêneros. Desse modo, novos gêneros textuais vão se constituindo, em um processo permanente, em função de novas atividades sociais. Se isso não ocorresse, a comunicação seria quase impossível, pois cada demanda comunicativa exigiria a construção de um texto configurado de modo completamente novo, que por sua vez precisaria ser compreendido pelos envolvidos na atividade para que a interação acontecesse. Segundo Bakhtin, (1997, p. 302): “Aprendemos a moldar nossa fala às formas do gênero e, ao ouvir a fala do outro, sabemos de imediato, bem nas primeiras palavras, pressentir-lhe o gênero, adivinhar-lhe o volume (a extensão aproximada do todo discursivo), a dada estrutura composicional, prever-lhe o fim. (…) Se não existissem os gêneros do discurso e se não os dominássemos, se tivéssemos de construir cada um de nossos enunciados, a comunicação verbal seria quase impossível.” Observamos que para Bakhtin (1997), os gêneros exercem certo efeito normativo. Por funcionarem como modeladores dos discursos em qualquer situação de interação verbal, os falantes recorrem a eles. Por possuírem aspectos relativamente estáveis/ comuns, os gêneros servem como modelos, de modo que textos diferentes são apontados como pertencentes ao mesmo gênero na medida em que possuem, por exemplo, “conteúdos”, “construções composicionais” e “estilos” semelhantes entre si. Nesse sentido, como foi dito, ao discutir o papel social dos gêneros nos atos interlocutivos, Schneuwly (2004) apresenta a noção de gênero como instrumento, utilizado/tomado pelo sujeito para agir linguisticamente. 

Nesse sentido, o autor, baseando-se no conceito de instrumento psicológico vygotskyano ressalta que, na perspectiva do interacionismo social, “a atividade é necessariamente concebida como tripolar: a ação é mediada por objetos específicos, socialmente elaborados, frutos das experiências das gerações precedentes, através dos quais se transmitem e se alargam as experiências possíveis”. (SCHNEUWLY, 2004, p. 21). Portanto, os objetos específicos se constituem nos instrumentos que segundo Schneuwly (2004, p. 21) ”[...] encontram-se entre o indivíduo que age e o objeto sobre o qual ou a situação na qual ele age: eles determinam seu comportamento, guiam-no, afinam e diferenciam sua percepção da situação na qual ele é levado a agir [...]”. A partir dessas citações, percebemos a relação que Schneuwly (2004) estabelece entre o conceito de instrumento e o papel dos gêneros como mediadores das atividades de interação verbal das pessoas na sociedade. O autor explica: “Há visivelmente um sujeito, o locutor-enunciador, que age discursivamente (falar/escrever), numa situação definida por uma série de parâmetros, com a ajuda de um instrumento que aqui é um gênero, um instrumento semiótico complexo, isto é, uma forma de linguagem prescritiva, que permite, a um só tempo, a produção e a compreensão de textos.” (SCHNEUWLY, 2004, p. 23-24) Por meio dos gêneros, a ação discursiva é, ao menos parcialmente, prefigurada para cumprir os objetivos definidos para certas atividades.

As experiências prévias de interações permitem aos participantes da situação de comunicação específica chegar a um grupo de gêneros que possivelmente podem ser utilizados nas situações de interação. Koch e Elias (2009) destacam que os gêneros textuais são diversos e sofrem variações na sua constituição em função dos seus usos. Explicando essa dinâmica de ampliação dos gêneros, as autoras apresentam como exemplos o e-mail e o blog, que como recursos recentes decorrentes do progresso tecnológico, são respectivamente transmutações das cartas e dos diários. Portanto, o grande desafio para o ensino relativo ao componente curricular Língua Portuguesa é trabalhar com essa diversidade textual na sala de aula, explorando de forma aprofundada o que é peculiar a um gênero textual específico, tendo em vista situações de uso também diversas

No trabalho em sala de aula com os gêneros duas dimensões se articulam. A primeira se refere aos aspectos socioculturais relacionados a sua condição de funcionamento na sociedade e a segunda se relaciona aos aspectos linguísticos que se voltam para a compreensão do que o texto informa ou comunica. Refletindo sobre essas relações, como defendem Schneuwly e Dolz (2004), enfatizamos a importância de se proporcionar aos alunos contatos com os mais diversos gêneros textuais. Para esses autores, o ensino da leitura e da escrita na escola pode ser sistematizado de forma que o aluno possa refletir, apropriar-se e usar diversos gêneros textuais. Conforme sintetizam Mendonça e Leal (2005), com uma proposta de aprendizagem em espiral, um mesmo gênero pode ser trabalhado em anos escolares diversos ou até na mesma série, com variações e aprofundamento diversos. Com essa discussão teórica acerca do conceito de gênero textual, procuramos fornecer ao professor elementos que lhe permitam criar situações de ensino que favoreçam o processo do alfabetizar letrando. Salientamos, no entanto, que é preciso tomar alguns cuidados:

1. Escolher os textos a serem lidos, considerando-se não apenas os gêneros a que pertencem, mas, sobretudo, o seu conteúdo (o que é dito), em relação aos temas trabalhados. O objetivo é que as crianças aprendam a ler e escrever, mas também aprendam por meio da leitura e da escrita;

2. Propor situações de leitura e produção de textos com finalidades claras e diversificadas, enfocando os processos de interação e não apenas as reflexões sobre aspectos formais;

3. Escolher os gêneros a serem trabalhos com base em critérios claros, considerando-se, sobretudo, os conhecimentos e habilidades a serem ensinados; relações entre os gêneros escolhidos e os temas/conteúdos a serem tratados;

4. abordar os gêneros considerando não apenas aspectos composicionais e estilísticos, mas, sobretudo, os aspectos sociodiscursivos (processos de interação, como as finalidades, tipos de destinatários, suportes textuais, espaços de circulação...).


Tomando-se tais cuidados, o trabalho com os textos ocorre de modo articulado ao ensino dos gêneros, de forma que refletir sobre o gênero seja uma estratégia que favoreça a aprendizagem da leitura e da produção de textos.


Fonte: Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica Diretoria de Apoio à Gestão Educacional Brasília 2012.
 O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS NA SALA DE AULA

Para saber mais, clique no link abaixo:




quinta-feira, 9 de abril de 2015

Literatura Infantil: Abaré


Sugestão de leitura para trabalhar com cultura indígena.

Essas são algumas páginas do livro Abaré.







Este livro veio nas caixas de literatura infantil - PNAIC, enviados pelo MEC. É um livro com imagens lindas sobre a cultura indígena, ele não tem texto escrito, somente imagens, é ótimo para trabalhar com os alunos a cultura dos índios e para que eles percebam que as imagens também é um tipo de texto e conta uma história.  O reconto e a produção de texto também são outras atividades de escrita.

  

domingo, 4 de maio de 2014

Plano de aula - Matemática - 1º ano - Adição com cartas.


Planejamento: 
1-) Identificação:

a-) Professora: Zélia
b-) Turma:  1º ano
c-)  Tema: Somando 10
d-) Disciplinas envolvidas: Matemática
e-) Conteúdos: Sistema de  numeração, grandezas e medidas, quantificação, resolução de problemas, atenção e observação, socialização e autonomia.

2-) Objetivos Gerais:

·        Identificar números
·        Entender o sistema de numeração
·        Relacionar número/quantidade
·        Desenvolver habilidades para resolver problemas
·        Desenvolver a atenção e observação
·        Desenvolver a socialização e autonomia


3-) Objetivos Específicos:

  • ·        Identificar números de 1 a 10
  • ·        Entender as regras do jogo
  • ·        Relacionar o numeral a sua quantidade
  • ·        Fazer cálculo mental
  • ·        Desenvolver estratégias para resolver problemas
  • ·        Entender noções de adição
  • ·        Utilizar os dedos para fazer contagem
  • ·        Fazer comparação de quantidade
  • ·        Entender noção de par
  • ·        Desenvolver a atenção e observação
  • ·        Desenvolver autonomia
  • ·        Aceitar as ideias do grupo
  • ·        Socializar-se e respeitar o outro


4-) Desenvolvimento metodológico:

A professora irá apresentar as cartas de 1 baralho para grupos de 2 a 4 jogadores, depois pedir que separem as cartas de 1 (A vale 1) a 9 com os 4 tipos de naipes, totalizando 36 cartas.
O objetivo do jogo é fazer pares com cartas que somando cheguem ao resultado 10.
O jogo dever ser iniciado com um dos jogadores embaralhando as cartas e colocando sobre a mesa 10 cartas viradas para cima. As outras cartas ficarão sobre a mesa em um monte, voltadas para baixo.
O primeiro jogador dever virar uma carta do monte e tentar somá-la com uma das carta da mesa, visando formar par com o total 10. Se conseguir, ficará com o par para si, se não conseguir somar, deixará a carta sobre a mesa, virada para cima, ao lado das outras, passando para o próximo jogador.
A professora deverá intervir nos grupos perguntando se realmente não há sobre a mesa nenhuma carta que é possível somar 10 ou se realmente o par formado pelo jogador somou 10.
Também é preciso incentivar os outros jogadores do grupo a ajudar o colega com a soma de suas cartas.  
O papel do professor durante o jogo é transitar entre os grupos questionando as jogadas dos alunos, fazer com que eles pensem sobre os resultados e percebam as suas estratégias.  
Quando as cartas terminarem, os jogadores deverão contar seu pares ou fazer uma comparação dos montes para saber quem é o ganhador.

 5-) Recursos didáticos:


01 baralho ou papel sulfite 40 para imprimir as cartas conforme modelo em anexo.


Cartas para imprimir em papel cartão ou sulfite 40.













 6-) Avaliação:
Observação pelo professor das estratégias e somas realizadas pelos alunos.

7-) Bibliografia:
A Matemática no Cotidiano Infantil – Jogos e atividades com crianças de 3 a 6 anos para o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático.
Autora: Sílvia Marina Guedes dos Reis.
Editora Papirus



Montei este plano de aula para apresentar para a orientadora do PNAIC/2014.
Este livro da referência bibliográfica é muito bom, ele traz muitas sugestões de atividades para trabalhar na Educação Infantil, 1º e 2º anos.  Vou postar outros planos que estou montando, espero que ajude, tchau! 




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Projeto Trilhas: Canções: Marcha Soldado.


Caderno Trilhas: Canções


Planejamento:



Atividade: Texto Fatiado: Marcha Soldado




Recortaram e ordenaram a letra da música.




Ilustrando a música 


Confeccionaram o chapéu do soldado com papel craft e depois cantarm a canção.


Atividades realizadas  pela professora Roselaine Sakaguti da turma do 2º ano B. Planejamento referente ao caderno do Projeto Trilhas- MEC/NATURA 




quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Projeto de Leitura: Leitura integrada com a família.

Projeto de Leitura 2º ano A: 
Leitura integrada com a família.


Uma das alunas mostrando para os colegas da turma qual foi o livro escolhido por ela para levar  casa. Este livro faz parte das caixas de Literatura Infantil enviadas pelo MEC do PNAIC - Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa.


Caderno montado pela escola para as salas de alfabetização.


A pessoa que leu a história com a criança, geralmente a mãe,  responde as perguntas acima e depois o aluno desenha a parte que mais gostou.


Na sala de aula, a professora lê as respostas da pessoal responsável que fez a leitura. E a criança mostra seu desenho e relata a parte do livro que mais gostou, ela também pode fazer um breve resumo da história. A professora, deixa o aluno fazer a opção que deixar mais a vontade. 
Todos ficam muito ansiosos para chegar seu dia de levar a sacolinha para casa. 


Depois da exposição realizada pelo aluno, a professora Adriana leu a história para a turma, este livro tratava de algumas situações que os levaram a usar o raciocínio lógico. Fiquei feliz de observar o andamento da aula, pois muitas crianças fizeram cálculos mentais rapidamente e também demostraram muito interesse pelo tema da história.

Turma: 2º ano A da professora Adriana Volpini - Escola M. Leonor Maestri de Held

Tchau e até mais, Zélia.

Endereço do blog da escola.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Projeto de Leitura: Árvore da leitura.

 Projeto de Leitura: PNAIC








Professores, este projeto está sendo realizado na escola onde sou auxiliar de supervisão, muito bom! 
No blog da escola está mais detalhado o trabalho realizado pela professora Roselaine Sakaguti, 2º anoB. Estou divulgando o trabalho dedicado de nossas professoras.
Entra lá, fica como sugestão para vocês, bjos.